quarta-feira, 28 de abril de 2010

Assediado por Serra, PP continua no governo, mas fica longe de Dilma

Além dos tropeços na campanha da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), o governo federal deverá amargar a declaração de independência do PP na sucessão presidencial. Alvo do assédio da oposição, que deseja seu apoio para a candidatura do tucano José Serra, a Executiva do PP se reúne hoje para dar o primeiro passo oficial rumo à neutralidade.


A despeito de o PP integrar a base governista e comandar o poderoso Ministério das Cidades, seus dirigentes já avisaram que o partido só formalizará a decisão em junho e tende a dizer não para os dois candidatos. Isso facilitaria a montagem de suas alianças regionais, ora com o PT, ora com o PSDB.

Ontem mesmo, o governo já acusou o golpe. E reagiu. Os recursos federais para bancar as emendas dos parlamentares aliados começaram a ser pagos, numa tentativa de acalmar a base. A liberação da cota de R$ 3 milhões por parlamentar estava atrasada havia um mês.

"Não há o que fazer agora. A hora é de paciência, canja de galinha e sangue de barata", diz o líder do PP na Câmara, João Pizzolatti (SC), que aposta na neutralidade do partido, mas adverte que o que move todas as legendas é a expectativa de poder.

"Não morremos de amor por ninguém. Vamos ver o que é melhor para o projeto do partido e isso vale nas parcerias estaduais e para a aliança nacional ", conclui o deputado Antônio Cruz (MS), que ontem discutiu a questão das coligações com o líder.

Frustração. Se for confirmada, a neutralidade frustrará os planos dos dois candidatos. Do lado de Dilma, o governo já dava como certa a coligação com o PP de Márcio Fortes, que comanda a pasta das Cidades, dona de um orçamento de R$ 15,2 bilhões para este ano, incluindo muitas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Do lado da oposição, os tucanos vinham acenando com a vaga de vice na chapa de Serra para o presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), de olho na fatia que o partido terá no horário de propaganda eleitoral gratuita. Sozinho, o PP deverá ter direito a 1 minuto e 20 segundos no tempo de TV destinado às candidaturas presidenciais.

Como a aliança em torno de Dilma reúne os dois maiores partidos do Congresso (PMDB e PT), além de outras legendas, sua campanha na televisão disporá de algo em torno de dez minutos em cada um dos dois blocos diários de propaganda em rede nacional. Sem o acordo com o PP, Serra terá cerca de sete minutos. Além disso, por Dornelles ser parente do ex-governador de Minas Aécio Neves, sua entrada na chapa ajudaria a colar mais a campanha de Serra no político mineiro.

"É claro que houve uma aproximação do PSDB. A oportunidade de termos o Dornelles na vice deixa o partido muito envaidecido, até porque, dessa forma, não entramos em uma aliança como coadjuvantes", admite Pizzolatti, que participa da coordenação da campanha de Dilma.

Diversidade. Na prática, o PP caminhou para a solução da neutralidade pela diversidade de seus acordos regionais. Do lado de Dilma, estão, por exemplo, Márcio Fortes que participou domingo, no Rio, do lançamento da candidatura ao Senado do petista Lindberg Faria. Com Serra, já é possível contabilizar o diretório mineiro, que deverá ocupar a vaga de vice-governador na chapa tucana que terá como candidato o governador Antônio Anastasia.

Outros diretórios do PP que têm pesado contra o apoio explícito ao PT são os dos Estados do Sul. Ontem, foi aberta negociação em Santa Catarina, em busca de acordo unindo os palanques da senadora Ideli Salvatti (PT) e da deputada Ângela Amin (PP).


A IMPORTÂNCIA DO MINISTÉRIO DAS CIDADES


Minha Casa Minha Vida
Um dos principais programas lançados no ano passado, alcançou 408.674 contratações de moradias em um ano, o que representa um volume de investimentos de R$ 21,5 bilhões

PAC para a Copa
O PAC destinará cerca de R$ 7,78 bilhões para obras de mobilidade urbana que facilitem a realização da Copa de 2014

PAC Cidade Melhor
Incluído no PAC 2, terá investimentos de R$ 57,1 bilhões, tendo seus programas voltados para saneamento, prevenção em áreas de risco, mobilidade urbana e pavimentação de 2011 a 2014

Urbanização de Favelas
O PAC inclui R$ 8,7 bilhões para urbanização de favelas

Água e Luz Para Todos
Terá R$ 13 bilhões em obras de ampliação dos sistemas de abastecimento de água, com construção de adutoras, estações de tratamento, reservatórios, além de substituição de redes de distribuição e da modernização dos sistemas de medição

CBTU
O Ministério das Cidades controla a Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), presidida por Elionaldo Magalhães, indicado para o cargo na cota do PP de Alagoas

Trensurb
O ministério controla também a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A., responsável pelo transporte de 44,4 milhões de passageiros em Porto Alegre e na região metropolitana
em 2009

Christiane Samarco e Marcelo de Moraes - O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Oposição tenta corrigir erros para voltar ao poder

Após derrotas de 2002 e 2006, líderes do PSDB e do DEM querem evitar agora brigas internas e a dispersão das forças eleitorais.

Nas campanhas anteriores, disputas e desentendimentos entre alguns dos principais representantes do PSDB e DEM minaram as chances de sucesso eleitoral nas corridas presidenciais. Foi o caso, por exemplo, do processo de disputa interna do PSDB que acabou definindo o então governador Geraldo Alckmin como candidato à Presidência em 2006.


Naquela disputa o então prefeito da capital José Serra era a opção considerada mais lógica até por adversários. Apontado como tendo maior potencial eleitoral para barrar a reeleição de Lula, Serra demorou a definir sua candidatura e acabou sendo surpreendido pela movimentação de bastidores de Alckmin. Escolhido candidato de uma oposição dividida e desinteressada, o tucano não teve fôlego para impedir a vitória do PT.

Divisão semelhante já havia ocorrido em 2002, quando Serra foi apoiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para sucedê-lo, mas perdeu o apoio formal do tradicional parceiro PFL, que tinha cedido o candidato a vice nas duas campanhas anteriores. Os pefelistas enxergaram a mão do PSDB paulista na implosão da pré-candidatura presidencial de Roseana Sarney e não se empenharam por Serra.

De quebra, Serra enfrentou o descontentamento do cearense Tasso Jereissati, também interessado em concorrer, e que reclamava da falta de discussão interna para a definição do candidato. Com pouco jogo de cintura dos dois lados, os tucanos de São Paulo e do Ceará ficaram distantes durante toda a campanha e a derrota foi questão de tempo.

Agora, líderes da oposição como os próprios José Serra, Tasso, Alckmin, Cesar Maia e o mineiro Aécio Neves adotam linha mais conciliatória nas relações e na formação de alianças justamente para evitar estragos políticos ocorridos anteriormente.

Mandato. Foi o que aconteceu n o processo de costura da aliança entre Serra e Aécio, por exemplo, mesmo depois que o ex-governador mineiro perdeu a corrida para se tornar candidato à sucessão de Lula. Serra acenou com o apoio ao fim da reeleição presidencial e de um mandato único de cinco anos, o que, em tese, reduziria o tempo de espera de Aécio para concorrer à Presidência. Além disso, ofereceu ao mineiro a vaga de vice-presidente e a ocupação de espaços estratégicos dentro de seu governo, caso seja eleito.

Serra tem procurado também atrair para seu lado antigos parceiros políticos do PSDB. O ex-presidente Itamar Franco (PPS) tem sido afagado pelo tucano, de quem nunca foi próximo, em busca de uma aliança que reforce sua presença em Minas.

A razão para essa mudança de comportamento é uma só: o instinto de sobrevivência. A oposição recebeu análises feitas por especialistas dando conta de que a eleição deste ano poderá ser a mais estratégica para seu futuro.

Se Dilma Rousseff vencer, garantirá ao PT seu terceiro mandato presidencial consecutivo e a perspectiva de poder eleger Lula para mais dois mandatos seguidos, a partir de 2014. Caminharia, assim, para concretizar um projeto de poder de vinte anos.

Natural. Para Cesar Maia (DEM), ex-prefeito do Rio e que também adota tom conciliatório para garantir no Estado a aliança em torno de Serra, o processo de boa vontade a oposição foi natural.

"É sempre assim. Na oposição, as diversas forças se juntam mais. Lembre-se da máxima: a esquerda só tem unidade na prisão. Mas o processo na oposição foi mais lógico. Alguma espuma pelo Serra manter-se calado em 2009 sobre candidatura. Mas nunca foi questionada sua capacidade e liderança no processo, mesmo quando se discutia a eleitorabilidade de Aécio", avalia.

A tarefa da oposição tem sido facilitada também pelo fato de se reunir em torno de apenas três partidos (PSDB, DEM e PPS), formando alianças regionais pontuais com outras legendas. Para o governo, apoiado por mais de dez partidos, se tornou impossível conciliar todos os interesses regionais.

Marcelo de Moraes de Brasília - O Estado de S.Paulo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O rombo está aumentando

* Celso Ming

O rombo das contas externas brasileiras (déficit em Conta Corrente) não é problema e é problema. Depende de muita coisa.

Muitas vezes os economistas discutem esse déficit ou como um grave perigo a enfrentar ou como ameaça apenas imaginária, uma espécie de cuca, a malvada, que aparece de noite na cama das crianças, especialmente na das malcomportadas.

O debate sem a necessária objetividade começa dentro do governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, age e às vezes reage como se fosse um problemão. Mas lhe falta coragem para reconhecer que, em sendo problema, tem mais a ver com a esticada das despesas públicas, área de jurisdição de seu Ministério.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por sua vez, quer sempre se defender dos ataques à política cambial comandada por ele e, por isso, tende a argumentar que o atual déficit é prova de saúde econômica, porque conta com a cobertura dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), sinal de confiança. Mas Meirelles também evita mencionar que esse déficit tem a ver com excesso de despesas do governo federal.

Antes de ir em frente, convém passar um pano de pó nesse conceito. As Contas Correntes são o pedaço do balanço de pagamentos que inclui as transações pagas ou recebidas com o exterior. Só ficam de fora os fluxos de capital. Fazem parte o comércio exterior (exportações e importações), os serviços (juros, turismo, etc.) e as transferências unilaterais (como as remessas que as famílias fazem aos filhos que estudam no exterior).

Em geral, quem semeia o medo da cuca pensa logo em câmbio fora do lugar e argumenta que o déficit está subindo porque o dólar barato demais derruba as exportações e, ao mesmo tempo, inibe as importações. Por isso, é preciso desvalorizar urgentemente o real.

Em geral, quem argumenta que esse saldo negativo não mete medo aponta, como já disse, para a Conta de Capitais e avisa que os IEDs vêm sendo mais do que suficientes para cobri-lo e, por isso, não é preciso mexer no câmbio.

Apenas parte da expansão desse déficit tem a ver com a queda das exportações e, nesse sentido, o câmbio não leva culpa nisso. Nos últimos meses, foi a crise que encolheu o mercado externo. A maior fatia desse déficit tem a ver com o aumento do consumo interno (de 10% ao ano), que reflete a expansão das despesas públicas, que cria renda, reduz o excedente exportável e aumenta as importações. Qualquer principiante em Economia sabe que déficit em Conta Corrente está quase sempre relacionado com aumento do consumo e redução da poupança.

A questão de fundo consiste em saber se a atual expansão do rombo deixa a economia vulnerável e quanto. O atual déficit é de 1,8% do PIB, bem menor que o de mais de 6% do PIB registrado no início dos anos 80, quando o Brasil quebrou duas vezes. Além disso, sua qualidade é diferente, na medida em que pode ser coberto com capitais de investimento e não mais com dívidas de curto prazo que enforcavam o País. O que é grave e insustentável é a expansão das despesas públicas, hoje a nada menos que 17% ao ano.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Há 25 anos começava o "Nuremberg" Argentino

Quepe do almirante Emilio Massera sobre a mesa do banco dos réus no julgamento de 1985
Na mesma semana em que o último ditador argentino, o general Reynaldo Benito Bignone, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a Humanidade – e enviado a uma prisão comum – os argentinos comemorarão hoje, quinta-feira, um quarto de século do início do julgamento dos principais líderes das juntas que governaram a Argentina durante a ditadura militar (1976-83). O inédito julgamento de ex-ditadores na América Latina foi denominado em todo o mundo de “o Nuremberg argentino”, em alusão ao julgamento de Nuremberg, que em 1947 condenou os criminosos de guerra nazistas.

A Argentina havia voltado à democracia pouco tempo antes, em dezembro de 1983. O país era governado pelo presidente Raúl Alfonsín (1983-1989), que enfrentava pressões intensas dos quartéis para não “ousar” realizar o julgamento que colocaria no banco dos réus os responsáveis pelas graves violações aos Direitos Humanos ao longo dos sete anos de regime militar.

Na ocasião, as principais figuras da ditadura, entre elas os generais Jorge Rafael Videla, Roberto Viola, Leopoldo Galtieri e o almirante Emilio Massera, sentaram no banco dos réus para responder à acusação de sequestros, torturas, detenções ilegais em campos de concentração clandestinos, roubo de bens e o assassinato de 30 mil civis, além do ocultação da maior parte dos corpos das vítimas, que ficaram conhecidas como os “desaparecidos”.

O promotor Julio César Strassera disse ao Estado que devido ao número de 10 mil de delitos sobre os quais existiam constâncias, foi necessário focalizar o julgamento sobre os “casos paradigmáticos”. Desta forma, a promotoria apresentou 709 casos, dos quais o tribunal decidiu examinar 280.
O general Videla e o almirante Massera foram condenados à prisão perpétua. Outros, como o general Viola, recebeu a sentença de 17 anos. O julgamento, iniciado em abril, concluiu em dezembro de 1985.

REBELIÕES – No entanto, uma série de rebeliões militares paralisaram o processo das investigações dos restantes crimes da ditadura. Em 1986, um dos levantes dos quartéis obrigou o governo Alfonsín a assinar a Lei de Ponto Final, que determinava um prazo exíguo para a abertura de novos processos contra os militares. Em 1987, outra rebelião forçou o governo a assinar a Lei de Obediência Devida, que eximia os subordinados de qualquer culpa, já que haviam cometido crimes “por ordens superiores”.

Em 1990, o presidente Carlos Menem decretou um polêmico indulto dos líderes militares. Apesar dos perdões presidenciais, organismos de defesa dos direitos humanos conseguiram explorar uma brecha nos indultos, a dos sequestros de crianças. Desta forma, vários militares puderam ser levados novamente à prisão, como o general Videla, detido em 1998 em prisão preventiva.
Em 2005, a declaração de inconstitucionalidade das leis do perdão ao ex-integrantes da ditadura permitiu a retomada de uma série de processos que haviam sido engavetados desde o final dos anos 80.


MILITARES QUERIAM TROCAR JULGAMENTO POR CONFISSÃO

Há 25 anos, no dia 22 de abril de 1985, Julio Strassera tornava-se famoso em todo o mundo ao iniciar as acusações dos ex-integrantes das juntas militares. Um quarto de século depois, aos 77 anos, Strassera recebeu o Estado em seu apartamento no bairro da Recoleta para uma entrevista na qual recordou a tarefa sem precedentes de colocar os ex-ditadores no banco dos réus.
Estado – O julgamento das juntas compara-se ao tribunal de Nuremberg?

Strassera – Este foi um caso único no mundo. Não se compara a Nuremberg, já que esse tribunal foi feito por um exército vitorioso estrangeiro. O julgamento aos integrantes da ditadura na Argentina teve as mesmas necessidades morais de Nuremberg, mas foi superior do ponto de vista jurídico. É que foi a primeira vez que tribunais civis julgaram pessoas que detiveram a somatória do poder público. Isso foi possível graças a uma decisão política (do presidente Raúl Alfonsín). Foi até diferente do caso do julgamento dos coronéis gregos (em 1975), condenados por traição à pátria. Aqui os militares foram condenados por delitos comuns, aplicando para isso o Código Civil. Isto é, sequestros, roubos, assassinatos.

Estado – Dias antes de iniciar pediram-lhe ‘suavizar’ o julgamento?

Strassera – Uma pessoa me ligou e disse que os militares estavam dispostos a confessar em troca de que não fossem julgados por seus crimes nem que eu apresentasse as provas. Além disso, pediam que as vítimas não dessem seus depoimentos sobre as atrocidades. De nada servia uma confissão ôca, do gênero “confesso pelo bem da pátria”. Mandei aos diabos essa proposta…
Estado – O que achou da condenação, anunciada na terça-feira, do general Bignone, o último ditador, a 25 anos de prisão por sequestros e torturas?
Strassera – Sua condenação e envio à uma prisão comum é correta, pois é uma consequência direta dos processos feitos contra o ex-ditador nos anos 80.
Estado – Bignone, antes de ouvir sua sentença, que a ditadura havia combatido “uma guerra” dentro do país contra a “subversão”…
Strassera – Aqui nunca houve uma guerra, nem uma guerra civil, tal como foi na Espanha nos anos 30. E, na hipótese que tivesse sido uma “guerra”, os presos teriam que ter sido colocados como prisioneiros de guerra, e não de forma clandestina..Além disso, em 1975 (um ano antes do golpe) o general Omar Riveros informou a Junta Interamericana de Defesa que a subversão havia sido militarmente destruída e desarticulada. Em 1976, quando começou a ditadura, não havia mais “guerra”. Isto aqui foi similar à uma caça!

Estado – Acha que o esforço feito há 25 anos é reconhecido?

Strassera – O governo da presidente Cristina Kirchner empenha-se em ignorar o julgamento de 1985, enquanto tenta prolongar ao máximo os julgamentos atuais. Os Kirchners querem que os novos julgamentos sejam seu grande trunfo. A oposição apresentou projetos para acelerá-los. Mas o governo sequer se interessou em discuti-los, pois quer aparecer como campeão dos direitos humanos. A verdade é que quando houve o golpe, em 1976, os Kirchners mudaram-se para Santa Cruz (terra natal de Néstor Kirchner) para dedicar-se, como advogados, à execução de hipotecas. Nunca assinaram um habeas corpus para os prisioneiros políticos, ao contrário de outros advogados que tiveram coragem.

Estado – Não teve medo na época do julgamento? Colocou no banco dos réus homens que haviam ordenado torturas e assassinatos…

Strassera – Nunca tive guarda-costas. E não é uma questão de valentia. Veja só o que aconteceu com (a primeira-ministra da Índia), Indira Gandhi, assassinada pelos próprios guarda-costas! Encaramos as ameaças com humor na época. Um dia telefonaram para fazer ameaças. Minha secretária respondeu à pessoa: “olhe, são 10:15 horas…o horário de atenção para ameaças vai de 9:00 às 10:00. Se quiser encaminhar uma ameaça, ligue amanhã” (Strassera ri longamente).

Estado – Por qual motivo os julgamentos não foram transmitidos pela TV?

Strassera – Alfonsín ficou preocupado pela reação da população. “Estas coisas podem comover gravemente a opinião pública”, me disse. É que havia depoimentos impactantes, como a mãe do adolescente Floreal Avellaneda, que foi empalado pelos militares! As coisas que essa mãe relatava! Uma mãe disse que seu filho havido sido pego armando uma bomba. Olhe só: ela não disse que seu filho era um santo. Mas, na sequência, ela disse: “mas ele não merecia um julgamento, tal como este que está acontecendo? Mas, os militares o mataram e me devolveram meu filho na forma de um saco com ossos”. Eram coisas muito graves para que a TV transmitisse todos os dias…

Estado – O que achou das Leis de Ponto Final e de Obediência Devida? E o que pensa do indulto concedido por Menem à cúpula militar?

Strassera – As leis de ponto final e obediência devida são ditadas após duas rebeliões militares. Mas, os indultos foram uma imoralidade gratuita, já que não existiam nem pedidos da sociedade para isso, sequer pedidos setoriais, isto é, dos quartéis. Mas, considero que o ex-presidente Carlos Menem quis ficar bem com vários setores simpatizantes da ditadura, como alguns setores da Igreja Católica, de certos empresários e de vários líderes sindicais. O governo Alfonsín estava contra a parede na época das leis de ponto final e obediência devida. Menem não estava contra a parede…

Estado – No julgamento algum dos réus teve um comportamento sui generis?

Strassera – Videla era esquisitíssimo, pois ficava sentado lendo um livrinho religioso, ignorando tudo o que acontecia na sala. Massera era agressivo. Ele fez um discurso final furioso. E Viola, ao ver que o público aplaudia as sentenças, virou-se para as pessoas e começou a insultá-las com pesados palavrões…

ÚLTIMO DITADOR FICARÁ EM PRISÃO COMUM
Reynaldo Benito Bignone, nos tempos de uniforme de gala, quando presidia o país
O general Reynaldo Benito Bignone, último presidente de fato da ditadura argentina (1976-83), foi condenado na terça-feira a 25 anos de prisão pelos crimes de roubos armados, sequestros prolongados com violências de 29 pessoas, além de torturas a outros 38 civis durante o regime militar no Campo de Mayo, o maior complexo de detenção e torturas dos anos 70 no país. O veredicto foi anunciado no tribunal oral da cidade de San Martín, na Grande Buenos Aires. O tribunal determinou que Bignone não desfrutará da prisão domiciliar, já que terá que ir à uma penitenciária comum.
“Falam nesse tal número de 30 mil desaparecidos…mas nunca demonstraram que foram mais de 8 mil”. disse Bignone, antes de ouvir a sentença. Na sequência, negou os sequestros de bebês, filhos das desaparecidas: “falam em 500 roubos de bebês, mas não chegam a 30 e nenhum deles foi cometido por militares”.
O ex-ditador tentou mostrar a repressão exercida durante o regime como um evento épico, ao exclamar: “a luta contra o terrorismo nos anos 60 e 70 na Argentina foi uma guerra!”.
Além de Bignone foram condenados outros cinco altos oficiais militares e um delegado de polícia por crimes cometidos em Campo de Mayo, o maior complexo clandestino de detenção da ditadura.
Dentro do perímetro de Campo de Mayo funcionavam quatro centros de tortura e uma maternidade clandestina, onde davam à luz as prisioneiras. Após o parto, as mães eram assassinadas, enquanto que os bebês eram entregues a famílias de militares ou policiais sem filhos.
Bignone, uma das principais figuras do golpe de 1976, governou a Argentina entre o fim da guerra das Malvinas, em junho de 1982 e a volta da democracia, em dezembro de 1983. Em 1985 foi julgado e condenado à prisão. No entanto, em 1990 foi indultado pelo então presidente Carlos Menem (1989-99).
Em 1999 foi detido graças à uma brecha no indulto, que não contemplava o perdão pelo sequestro de crianças. Em 2004, com a revogação das Leis de Perdão no Parlamento – e a confirmação dessa medida na Corte Suprema em 2007 – novos processos foram abertos contra Bignone. Em janeiro do ano passado foi novamente ao banco dos réus pela acusação de sequestro, torturas e assassinatos de civis realizados em Campo de Mayo.
Em 1983, poucos meses antes da volta à democracia, Bignone ordenou a eliminação dos arquivos da repressão da ditadura, principalmente aqueles que indicavam o paradeiro dos corpos dos prisioneiros políticos.

DITADURA, UM FRACASSO MILITAR E ECONÔMICO
Na madrugada do dia 24 de março de 1976 uma junta militar derrubou a presidente civil Isabelita Perón. A ditadura, que duraria sete anos – considerada a mais sanguinária da História da América do Sul – teria um saldo de 30 mil civis assassinados nos centros clandestinos de detenção. A ditadura também sequestrou 500 bebês, dos quais somente 101 recuperaram sua identidade até hoje.
O saldo econômico do regime também foi desastroso. Em sete anos de ditadura a dívida externa disparou de US$ 8 bilhões para US$ 45 bilhões.
A inflação aumentou de 182% anual para 343%.
Além disso, a pobreza cresceu de 5% da população para 28%.
De quebra, a ditadura implantou uma ciranda financeira que intensificou o caos econômico.
E, para complicar, a improvisada administração militar provocou um déficit de 15% do PIB.
Além disso, a ditadura argentina implementou grandes negociatas, entre elas a organização da Copa do Mundo de 1978, cujo orçamento inicial era de US$ 70 milhões. Custo final da Copa: US$ 700 milhões (o valor supera amplamente o custo da Copa realizada na Espanha, em 1982, que foi de US$ 520 milhões).
Na área militar a ditadura implementou uma corrida armamentista com o Chile em 1978. Os dois países, que disputavam o canal de Beagle, quase entraram em guerra. A invasão argentina foi detida graças à mediação do papa João Paulo II.
Quatro anos depois, o ditador Leopoldo Galtieri ordenou uma improvisada invasão das ilhas Malvinas, sob controle britânico, desafiando a primeira-ministra Margareth Thatcher a enviar tropas. A guerra terminou com a estrepitosa derrota da ditadura em dois meses e meio.
Paradoxos: A Ditadura tinha um discurso anticomunista mas continuou vendendo trigo para a URSS e não aderiu ao boicote americano contra as Olimpíadas de Moscou em 1980.

Ditadura fez festival de gastos em armanentos e cabides de emprego em estatais e pouco investimento em infraestrutura

‘GUERRA’ OU REBELIÃO LOCALIZADA?
Os militares deram o golpe e instauraram a ditadura mais sanguinária da História da América do Sul (América do Sul, não América Latina) com o argumento (um dos vários) de que a guerrilha controlava grande parte do país. Segundo os ex-integrantes da ditadura, os militares argentinos implementaram uma “guerra”.
No entanto, trata-se de um exagero para justificar os massacres cometidos durante a ditadura.
A pequena guerrilha argentina, mais especificamente o ERP, dominava às duras penas uma pequena porcentagem da província de Tucumán, a menor província da Argentina.
A magnificação da guerrilha foi útil para os militares e também para o prestígio dos guerrilheiros. A nenhum dos dois lados era conveniente admitir a realidade, de que a área controlada pela guerrilha era ínfima.
Os militares e os setores civis que apoiaram o golpe (e os saudosistas daqueles tempos) afirmavam (e ainda afirmam) que o país estava em guerra civil nos nos 70.
Mas, “guerra civil”, rigorosamente, seriam conflitos de proporções mais substanciais, tais como a Guerra da Secessão dos EUA, a Guerra Civil Espanhola, a Guerra Civil Russa logo após a proclamação do Estado Soviético, a Guerra das Duas Rosas (Lancasters versus Yorks, na Inglaterra) ou a Guerra Civil da Grécia após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Ainda: a Guerra Civil da Nicarágua, e a de El Salvador. Isto é: bombardeios de cidades, grandes êxodos de refugiados, centenas de milhares de mortos, uma boa parte de um país controlado por um dos lados, e outra parte controlada por outro lado. Isso não ocorreu na Argentina nos anos 70.

Ditadores bizarros: Em setembro de 1980, no governo do general Videla, as autoridades proibiram o uso do livro “O pequeno príncipe” nas escolas, por considerá-lo “subversivo”.
As autoridades também proibiram um livro de engenharia elétrica, o “Cuba electrolítica” (isto é, ‘célula eletrolítica’). Os censores acreditaram que o ‘cuba’ referia-se à ilha caribenha, controlada pelo regime comunista de Fidel Castro.
O general Ramón Camps, que administrava a província de Buenos Aires com mão de ferro, considerava que as crianças filhas dos prisioneiros políticos herdavam, genéticamente, os “cromossomos da subversão”.

PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Estadão.

PSB alega que falta de alianças inviabiliza candidatura de Ciro

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) se reuniu nesta quinta-feira, 22, em Brasília, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que também é presidente do PSB, e com o vice-presidente do partido, Roberto Amaral. Durante o encontro, eles apresentaram a Ciro mapas dos Estados mostrando que o partido não tem alianças, o que inviabiliza a candidatura do deputado.
Na próxima terça-feira, 27, haverá uma reunião da executiva do PSB para sacramentar a retirada da candidatura de Ciro. Interlocutores do Planalto afirmam que Ciro “não ajudou”, ou seja, não conseguiu tirar votos de José Serra (PSDB-SP). Além disso, não há hipótese, avaliam os mesmos interlocutores, de Ciro ser o vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT-RS).
Na tarde desta quinta-feira, 22, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontro marcado com três governadores do PSB, Eduardo Campos (Pernambuco), Wilson Martins (Piauí) e Cid Gomes (Ceará), irmão de Ciro Gomes. O tema da reunião são as obras da ferrovia Transnordestina, que estão dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas o tema político também deve ser tratado.

Por Marcelo de Moraes- Estadão

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Guerra de ações dá a assessores jurídicos status igual ao de marqueteiro

Guerra de ações dá a assessores jurídicos status igual ao de marqueteiro
A mais de três meses do início oficial da campanha para a Presidência da República, os principais adversários nas urnas, PT e PSDB, protagonizam uma "judicialização" do debate político, que tem pautado a retórica eleitoral deste ano. Em meio à guerra de representações, a coordenação jurídica dos candidatos ganhou peso e passou a ter status próximo ao dos marqueteiros.

A ofensiva jurídica levou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a se encontrar com o do PSDB, Sérgio Guerra, para discutirem eventual armistício, recentemente, em Brasília. A conversa não evoluiu e, nos últimos dias, o PSDB ingressou com ações não só contra o PT, mas também contra o instituto de pesquisa Sensus e o sindicato dos professores de São Paulo (Apeoesp), cuja presidência é ligada aos petistas.

Desde janeiro do ano passado, já foram impetradas pela oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 12 representações contra o PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff ? a maior parte relacionada à propaganda eleitoral antecipada. Duas resultaram em multas para Lula no valor total de R$ 15 mil.

O PT fez o contra-ataque na Justiça Eleitoral de São Paulo, base política do ex-governador José Serra, pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto. No mês passado, o partido conseguiu suspender a veiculação de uma propaganda do PSDB na televisão, alegando que Serra fazia promoção pessoal ao falar no comercial sobre seguro desemprego.

"Hoje em dia um candidato nem precisa falar tão bem, mas precisa ter um bom advogado", afirmou o especialista em direito eleitoral Eduardo Nobre. "Há uma tendência que vem crescendo de o coordenador jurídico ser cada vez mais importante. Um erro do marqueteiro causa um dano grande. Do advogado, pode ser fatal", completou.

Os partidos já começaram a formar os times jurídicos. Do lado tucano, atuarão a equipe do advogado Ricardo Penteado em parceria com o escritório brasiliense de José Eduardo Alckmin. Os petistas calibram a equipe, que a princípio terá o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos como "consultor". O cotado para gerente jurídico, responsável pela parte operacional, é Márcio Luiz Silva, que foi sócio de José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-advogado do PT.

Costuma-se fechar um pacote eleitoral que, segundo o mercado, chega à dezena de milhões, O valor serve para bancar uma equipe com cerca de dez advogados, o contencioso jurídico e a consultoria estratégica. Também são submetidos aos advogados os programas de rádio e TV ? neste momento ocorrem as brigas com os marqueteiros que entram para o folclore eleitoral.

Além disso, os partidos têm advogados que trabalham nas demandas do dia a dia. O Estado apurou que fora de eleição esse custo é de cerca de R$ 40 mil.

Estratégia. O PSDB tem aproveitado para tentar colar no PT a pecha de partido que não cumpre a lei. Uma das estratégias de ataque é dizer que os petistas não só não cumprem a lei, como zombam da Justiça. Nos discursos de lançamento da pré-candidatura do PSDB, tanto Serra quanto FHC bateram na tecla.

O clima beligerante na pré-campanha deste ano ? a disputa só começa oficialmente em junho, depois das convenções ? ganhou contorno inédito, dizem advogados e especialistas em campanha eleitoral. Geralmente a fase mais "crítica" do embate jurídico só costuma acontecer durante a campanha eleitoral no rádio e na TV, a partir de agosto.

A eleição de 1996 para a Prefeitura paulistana é apontada como um marco na "judicialização". Houve uma guerra nos tribunais, o que culminou em avalanche de direitos de respostas.

Para o advogado do PSDB, Ricardo Penteado, o maior problema é o uso da máquina pública. "Tenho impressão de que a oposição está usando o seu corpo jurídico para atacar a pré-candidata", disse José Eduardo Martins Cardozo, um dos petistas responsáveis por montar o corpo jurídico da campanha. "Talvez estejam assustados."

Para o procurador-regional eleitoral substituto, Pedro Barbosa Pereira Neto, é natural que a Justiça seja acionada com a proximidade da campanha. "Geralmente, o que tem mais no primeiro semestre são representações contra campanha antecipada, que acabam acarretando em multas para os partidos", afirmou.

Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo

/ COLABOROU VERA ROSA

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Serra e Dilma reforçam ofensiva em programas populares de rádio e TV

Dois meses antes de formalizar as candidaturas nas convenções partidárias, os pré-candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) lançaram-se em uma agenda de viagens e entrevistas digna de quem está em plena campanha. Programas de TV populares e rádios regionais são os meios preferidos para atingir o eleitorado.

Empenhada em vestir o figurino da simpatia desde que deixou o governo, Dilma fará incursões pela televisão nos próximos dias. Na agenda da petista constam entrevistas ao Programa do Ratinho, no SBT, e ao Brasil Urgente, comandado por José Luiz Datena, na Rede Bandeirantes.

O PT está acertando com Datena uma superprodução, na qual Dilma deve entrar em um helicóptero para sobrevoar São Paulo, a maior cidade do País, justamente onde seu desempenho ainda está aquém das expectativas, segundo as pesquisas.

Foi no programa de Datena que Serra - então governador de São Paulo e hoje pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto - admitiu pela primeira vez sua entrada no páreo para concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra percorre, desde segunda-feira, um circuito de emissoras de rádio, a começar pela Jovem Pan e Bandnews, em São Paulo. Na terça, falou à Rádio Sociedade, em Salvador, e à Rádio Jornal, do Recife. Ontem, deu entrevistas às rádios Arapuã e Paraíba Sat, ambas em João Pessoa, e participou do programa Debate com Paulo Lopes, na paulista Capital AM. À noite, deu mais uma entrevista, à Rádio Metrópole, de Salvador.

"Esse modelo vai se repetir bastante durante a campanha", admite o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA), um dos articuladores da campanha no Nordeste. Como governador, o tucano já vinha investindo no público de baixa renda, participando dos programas de auditório mais populares da TV brasileira, entre os quais os das apresentadoras Hebe Camargo e Luciana Gimenez, além do principal concorrente de Datena, Ratinho.

Dilma também tem dado entrevistas às rádios locais por onde passa. Neste mês, falou à Itatiaia, de Belo Horizonte, e à Verdes Mares, de Fortaleza, além da Jovem Pan e da Capital, em São Paulo.

Legislação. A estratégia de buscar exposição em programas de rádio e televisão foi a maneira encontrada pelo comando da campanha petista para contornar as restrições impostas pela lei eleitoral. A avaliação do time petista é de que, diante do impedimento de pedir votos abertamente nas ruas antes do início de julho, quando a campanha começa de forma oficial, as entrevistas são a maneira mais eficiente de expor a ex-ministra da Casa Civil a uma fatia mais ampla do eleitorado.

O comando da campanha do PT avalia que a participação de Dilma em programas populares na TV - como os de Ratinho e Datena - e também em emissoras de rádio é "essencial" para a candidata estabelecer uma "comunicação direta" com o eleitor. Sob o argumento de que jornais editam as declarações de Dilma e muitas vezes "distorcem" suas palavras, a preferência dos petistas é por entrevistas ao vivo.

Desconhecimento. Além de reconhecer que Dilma está em forte desvantagem em relação a Serra quando o assunto é o conhecimento dos eleitores, como demonstram os resultados das pesquisas eleitorais, petistas admitem que Serra acertou ao admitir pela primeira vez os planos de se candidatar em entrevista a Datena, no mês passado. Dilma, por sua vez, adotou progressivamente o discurso de candidata, até formalizar sua intenção de concorrer no Congresso Nacional do PT, no fim de fevereiro.

A data da participação da petista no programa de Datena ainda não está marcada. A negociação da pré-candidata está mais avançada com o Programa do Ratinho. Ela concederia ontem, no fim da tarde, uma entrevista ao vivo. Acabou pedindo o adiamento para o dia 29, às 18 horas, alegando problemas de agenda.

Ontem em São Paulo, Dilma jantou na casa da apresentadora Ana Maria Braga, que comanda o Mais Você, um programa matinal de variedades da TV Globo.

Segundo a equipe da apresentadora, o objetivo era apenas organizar um "jantar entre amigas, sem qualquer conotação política". As duas se aproximaram na época em que Dilma, então ministra da Casa Civil, foi diagnosticada com um câncer no sistema linfático. Ana Maria Braga também lutou contra a doença em 2001.


Em rede nacional

José Serra
Depois de lançar sua candidatura, informalmente, no programa Brasil Urgente, o tucano concedeu entrevista a seis rádios. Na segunda-feira, em São Paulo, foi entrevistado pela Jovem Pan e Bandnews. Anteontem, deu entrevistas às rádios Sociedade, em Salvador, e Jornal, em Recife. Ontem, às rádios Arapuã e Paraíba Sat, em João Pessoa
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Dilma Rousseff
Na semana passada, a petista deu entrevista às rádios Jovem Pan, de São Paulo, no dia 5; Itatiaia, de Belo Horizonte, no dia 7, e Capital (SP), no dia 9. Anteontem, falou à Rádio Verdes Mares, de Fortaleza. Ontem, jantou com a apresentadora Ana Maria Braga, da Rede Globo. No dia 29, ela deve participar do Programa do Ratinho, do SBT.

Vera Rosa, Adriana Carranca, Clarissa Oliveira e Tiago Décimo - O Estado de S.Paulo